e furtivo acessar esse jardim de inverno
que aqui eu escondo por timidez de mim
porque, sabe, é preciso que a gente não se devasse
e assim há que guardá-lo
esse espaço secreto sobretudo de mim
essa região da casa e mais ainda do peito
agora por mim acessada
veja como é belo
todo o amor passa por ele ao entrar
não pode parar senão coagula
mas às vezes demora-se
veja como é plácido, é tão romano
é onde mora a intimidade
por isso estranhos de nós mesmos
nem em nossa própria casa nos é mais fácil frequentá-lo
você sabe
chama-se átrio
. . .