Me referi algumas vezes ao colégio em que trabalhei em 2022 e 2023 como minha primeira namorada: antes mesmo de passar a frequentar presencialmente o ensino superior, foi ali que, ingressando com 18 anos e estabelecendo uma dimensão da existência que não mais me representava como uma extensão da família — tal como não deixa de ser, em certa medida, enquanto estamos no ensino básico —, o mundo teria me desvirginado. Na festa de confraternização desse mesmo colégio, em que me despedi de dois anos de convivência apaixonada decidido a viver o que mais para mim se apresentava, revisitei o que disse e entendi que nossa primeira namorada é sempre a mãe e assim, em algum momento, precisamos deixar de amá-la (e aquele colégio) para podermos de outras formas descobrir ou inventar — se forem mesmo duas palavras diferentes — o nosso desejo.
Minha mãe é professora. Nesse dia, quando se encerrou a festa, pela primeira vez dormi com uma mulher, professora de lá, alguns anos mais velha que eu. Enquanto a penetrava, percebi que seu corpo de mulher lembrava um pouco o da minha mãe pelada.
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