ao M.
o encantador de serpentes, não:
a serpente encantadora,
um pente que encantou o meu ser,
que subjugou meu próprio pente
ao ser do seu pente imponente,
que encantou minhas serpentes,
uma serpente diante de outra
que ela vê como gente
(por aquele princípio etnológico que conhecemos),
mas não como igual
(porque ver como gente não exclui o diferente),
uma serpente que vê mais que a si no espelho
e me reconhece – a outra – como gente
e diferente, como gente diferente,
uma serpente se enroscando em outra serpente,
duas serpentes livres, encantadas, sem encantador,
uma serpente que não precisa de encantador
para fazer amor ao ser de outra serpente,
para encantar esta serpente
como o seu pente me encantou para sempre
. . .